O cinema brasileiro em palavras. Personagens que dirigiram ou atuaram em sua evolução. Olhares diferentes, peças que compõem a historiografia da arte cinematográfica nacional. O Cine Academia desvenda em seus "Cadernos" homens e mulheres atuantes no contexto audiovisual do País. A entrevista é o meio utilizado para revelar cada artista, conduzida por conhecedores da sétima arte. A série - Cadernos Cine Academia - nasceu em 2003, com a publicação dos livros: "Ittala Nandi I.N. Veritas" e "O Cinema segundo Eduardo Coutinho". Ambos escritos pelo crítico de cinema Claudio M. Valentinetti.

No segundo ano da coleção, 2004, foi a vez de por em foco o fazer cinematográfico do ator Othon Bastos e da diretora Tizuka Yamasaki. O livro "A arte do ator Othon Bastos" foi escrito também por Valentinetti, já "Tizuka Yamasaki, a vida invade o cinema", foi realizado por Inimá Simões. Ano passado, 2005, Valentinetti acompanhou os caminhos trilhados por Milton Gonçalves, produzindo, assim, o número cinco da série Cadernos Cine Academia. O diretor de luz própria Nelson Pereira dos Santos é entrevistado por Rodrigo Fonseca. A coletânea chega com este último livro em seu sexto número.  

Além das entrevistas, que narram tanto a vida profissional como a pessoal, os Cadernos contêm fotos, dados biográficos e filmografia completa e atualizada sobre cada um dos artistas contemplados. Aproveite estes pequenos grandes livros e conheça mais sobre o cinema brasileiro. Os cadernos podem ser adquiridos na bilheteria do Cine Academia ou pelos telefones: (61) 3316 6846 e 3316 6887. O preço é R$ 20,00, cada livro.

Série Cadernos Cine Academia :

" Ittala Nandi I.N. Veritas ", de Claudio M. Valentinetti

" O Cinema segundo Eduardo Coutinho ", de Claudio M. Valentinetti

" A arte do ator Othon Bastos ", de Claudio M. Valentinetti

" Tizuka Yamasaki, a vida invade o cinema ", de Inimá Simões

" Milton Gonçalves, um negro em movimento ", de Claudio M. Valentinetti

" Meu compadre cinema - sonhos, saudades e sucessos de Nelson Pereira dos Santos ", de Rodrigo Fonseca

 

Eduardo Coutinho

Reconhecido como o maior documentarista brasileiro, Eduardo Coutinho encontra-se neste livro na situação contrária à que se acostumou: de entrevistador ele passa a entrevistado. "Narrador de narrações", como Claudio M. Valentinetti o definiu, Coutinho revê sua trajetória cinematográfica, suas maiores influências e avalia o seu rigoroso método de documentar a realidade brasileira. Suas obras mais marcantes, como "Cabra Marcado para Morrer", "Boca do Lixo", "O Fio da Memória" e "Edifício Máster" são debatidas num tom profundo e informal.

 

Ittala Nandi

Ittala Nandi é uma das maiores atrizes brasileiras. Desde a experiência do Teatro Oficia, onde começou a sua carreira, Ittala passou pelos maiores centros artísticos do país. O livro revive sem nostalgias os agitados anos de 64 e 68, além de passar pela discussão sobre o Cinema Novo, Stanislavski, o Tropicalismo, Brecht, o Living Theatre, a liberação sexual e a globalização. Juntamente a essas temáticas, revelam-se os lados delicado e guerreiro da mulher Ittala Nandi: a infância, os amores e as viagens surgem nessa outra faceta.

 

Othon Bastos

Eterno Corisco, de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", filme de Glauber Rocha, Othon Bastos é um dos mais importantes atores do cinema brasileiro. O entrevistador Claudio M. Valentinetti busca na infância baiana de Bastos suas primeiras intenções profissionais, segue pelas primeiras incursões teatrais e caminha por toda sua trajetória na dramaturgia nacional - passando pelo teatro, cinema e televisão. A relação com personalidades da cultura brasileira também é exposta aos leitores, como as peculiares diferenças entre as direções de Glauber, Leon Hiszman, Ruy Guerra. Do Cinema Novo aos inúmeros filmes da Retomada ("Bicho de Sete Cabeças", "Abril Despedaçado" ou o "Coronel e o Lobisomem"), Othon Bastos ajuda a escrever a história do nosso cinema. Vale a pena conhecer um pouco mais do ator no número três da coleção Cadernos Cine Academia.

 

Tizuka Yamasaki

O livro-entrevista "Tizuka Yamasaki, a vida invade o cinema", de   Inimá Simões, tem início com a conversa a respeito da realização de "Gaijin 2". Depois, faz um flashback, para   "encontrar Tizuka em seu processo de descobrimento do Brasil, quando estudava na UnB , tempo de muitas amizades e fortes recordações", assim descreve Simões em sua introdução. A mudança para o Rio, os estudos na Universidade Federal Fluminense (UFF), o trabalho com renomados diretores brasileiros são relatados no livro. O que não falta também são referências a seus trabalhos autorais.  

 

Milton Gonçalves

"Um negro em movimento" é o subtítulo do Caderno Cine Academia que narra os feitos de Milton Gonçalves, escrito por Valentinetti. Com mais de cem filmes rodados, o ator é, sem dúvida, dinâmico e versátil. No teatro, fez parte do grupo Arena. Estreou no cinema em 1958, com "O grande momento", de Roberto Santos, e não parou desde então. Em 2004, participou de "Filhas do Vento", de Joel Zito Araújo, primeiro filme brasileiro com elenco de atores totalmente negro. Sem falar no trabalho desenvolvido neste meio tempo. Milton Gonçalves, além de atuar, também trabalhou em direção, nas telinhas e no teatro. Ele é, enfim, um artista completo.       

 

Nelson Pereira dos Santos

O diretor de "Rio 40 Graus" (filmado entre 1954 e 1955), Nelson Pereira dos Santos, foi um dos precursores do movimento Cinema Novo. Ele retrata a cotidianidade do brasileiro de maneira diferente, com uma narrativa descontínua, também inovação para a época. "Foi com o intuito de mostrar o Maracanã, as favelas, as rodas de samba, e os meninos de rua da Cidade Maravilhosa a partir de uma outra perspectiva que não a da ingenuidade chanchadesca, que ele e meia dúzia de colegas apostaram esperanças, horas livres e recursos que enfrentou a cariada bocarra da censura", escreve Rodrigo Fonseca, no número seis da série Cadernos Cine Academia sobre Nelson Pereira. Na bagagem do diretor, outras obras-primas com "Vidas Secas" (1963) e "Memórias do Cárcere" (1984). A trajetória de Nelson Pereira dos Santos é essencial para quem quer conhecer o cinema brasileiro. A entrevista conduzida por Fonseca é um bom começo.

Autores

Claudio M. Valentinetti

Claudio M. Valentinetti nasceu em Milão, no ano de 1949, e graduou-se em Letras Modernas com tese sobre o Cinema Novo Brasileiro. Além de crítico de cinema e jornalista, Valentinetti também traduziu, do espanhol e do português para o italiano, livros de diversos escritores importantes como Gabriel García Márquez, Carlos Fuentes, Fernando Pessoa, João Ubaldo Ribeiro, Ignácio de Loyola Brandão e diversos outros. Ao todo são vinte e três autores traduzidos. Claudio M. Valentinetti é também o autor de "Oscar Niemeyer: um diálogo pré-socrático" (1998) e "Glauber, um olhar europeu" (2003).

Inimá Simões

Jornalista e psicólogo formado na Universidade de São Paulo (USP). Mestre em cinema e doutorando em jornalismo pela mesma instituição. Diretor de documentários em película e vídeo. Professor de história do cinema na FAAP (SP). Jornalista nas TVs Manchete, SBT, Band e Rádio e TV Cultura. Jurado de festivais e colaborador em várias publicações. Atualmente jornalista lotado na Secom da Câmara dos Deputados em Brasília onde dirige e apresenta programas de TV ("Sintonia") e rádio. Entre os textos publicados em livro, alguns referentes ao cinema: "Sou .. mas quem não é? Pornochanchada: o bode expiatório do cinema brasileiro", em "Sexo e Poder", Editora Brasiliense (1979); "Salas de cinema em São Paulo", Ed. PW/SEC, (1990); "Roberto Santos , a hora e vez de um cineasta", Ed. Estação Liberdade (1997); e "Roteiro da Intgolerância: a censura cinematográfica no Brasil", Ed. Senac (1999).    

Rodrigo Fonseca

Rodrigo Fonseca (22/12/1979) é repórter e crítico de cinema do jornal O GLOBO. Produtor editorial formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalhou cinco anos (2000 - 2005) no Jornal do Brasil, onde coordenou a seção Filme em Questão e assinou a coluna HQ. Atualmente é também consultor editorial na Pixel/Ediouro, atuando na área de histórias em quadrinhos.

voltar